25 janeiro 2007

o arquitecto e a ARTe (falando sério)












O acto criador do arquitecto encontra-se irremediavelmente apegado a fins específicos e sempre na contingência de ser executado mediante a observância de determinados limites. Esta relação dialéctica entre o modo como o arquitecto poderá agir e como age é mais notável na arquitectura do que em qualquer outra expressão artística, em que o artista apesar de, obviamente, se encontrar num determinado espaço e num determinado tempo pode executar as suas obras de forma mais liberta (descurando uma funcionalidade imediata que obviamente não o importunará), não se prendendo a necessidades imediatas e não considerando as coisas primordialmente sob o signo do útil. Na arquitectura esta relação é inevitável. Ainda assim, os grandes movimentos artísticos tiveram sempre o seu reflexo na arquitectura, sendo esta a imagem imponentemente visível dos diversos postulados que norteiam a acção da maior parte desses movimentos. Daí a sua importância para estes. Marcel Duchamp pautou a sua vida por atitudes irónicas que vieram a tornar-se artísticas. A criação dos ready-made terá surgido mais de uma atitude provocatória do que de uma postura intelectual ou artística. Mas não faltaram ideólogos dispostos a justificar teoricamente os ready-made, mas isso é outra discussão. Se se analisar a obra Pharmacie (1914), pode verificar-se que é uma reprodução barata de uma paisagem desinteressante, provavelmente comprada num bazar barato (podem acima ver-se 3 versões realizados em anos diferentes por Duchamp ou outros artistas). Esteticamente é particularmente patética, a paisagem, as cores da reprodução e mesmo os dois pontos acrescentados por Duchamp (um vermelho e um verde ou azul, já que a obra foi replicada pelo artista e por outros artistas). No entanto, a ideia de fazer uma intervenção aleatória num suporte existente, é tão original como irónica. Interrogado sobre qual das atitudes prevaleceu na obra, respondeu aos seus interlocutores como Einstein respondeu à comunidade científica quando lhe perguntaram como provar a Teoria da Relatividade: encolhendo os ombros. Não será isso o acto genuinamente artístico?

2 comentários:

Anónimo disse...

Sería bom que o Sr. Arquitecto justificasse o texto.

|nEmO| disse...

Já está justificado. Já agora, seria bom que retirasse o acento de "sería". Se não for pedir muito, leia o texto, também... :)